Meteorologistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) elaboraram um mapa que aponta áreas em que há registro de chuva e de seca acima da média histórica. As regiões traçadas na figura são aproximadas.
- O excesso de chuva no Norte está associado ao fenômeno La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Tropical.
- Já na região Sudeste, o aumento de chuva é influenciado pela formação de uma Zona de Convergência de Umidade.
- No norte da região Sul do Brasil, o calor e umidade provocam chuva forte no verão.
- No Rio Grande do Sul, a seca persiste desde outubro, com chuva abaixo da média histórica. A condição é influenciada pelo fenômeno La Niña.
De acordo com o meteorologista Gustavo Escobar, as chuvas intensas são provocadas por uma zona de convergência de umidade. Esse canal de umidade sobre parte do Norte, o Centro-Oeste e parte do Sudeste, é comum nesta época do ano, e associado a temperaturas elevadas causa chuvas ainda mais fortes.
Com chuvas dentro da normalidade para a época do ano, as tragédias que temos visto são causadas pela combinação dos temporais e um ambiente irregular, de encostas, áreas já sujeitas a riscos. "O solo encharcado e a chuva constante, sem tempo de escoamento, têm sido responsáveis pelos deslizamentos de terra e desabamentos”, afirma o também meteorologista José Felipe Farias.
Chuva no Norte e seca no Sul
Enquanto as chuvas no Sudeste e parte do Centro-Oeste são causadas por um canal de umidade, no Norte, os temporais são provocados pela atuação do fenômeno La Niña. O mesmo cenário que configura chuvas acima da média histórica na Região Norte, leva à seca na Região Sul. Segundo a meteorologista Priscilla Farias, "o La Niña provoca uma mudança nos ventos entre a Austrália e a Região da Indonésia. No Brasil, há alteração na circulação de ventos tanto no eixo leste/oeste quanto no norte/sul, por isso ocorre a mudança no comportamento da chuva”.
Priscila explica que na região em que há o resfriamento das águas, a formação de nuvens é deslocada. "Onde as nuvens se formam, o ar ascende, e onde ele desce, ele inibe a formação de nuvens. Por isso temos falta de chuva em alguns pontos e excesso, em outros, já que o fenômeno influencia na circulação geral do ar na atmosfera", afirma.



